A Clark Solutions acaba de dar um passo importantel para a descarbonização da indústria brasileira. A empresa foi contemplada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio da linha de Descarbonização da Transformação Mineral do programa Mais Inovação Brasil, para desenvolver uma tecnologia voltada à produção sustentável na siderurgia.
Para viabilizar essa inovação, focada no que o mercado chama de “aço verde”, a iniciativa conta com um investimento total de R$15 milhões – sendo 70% aportados como subvenção pela Finep e 30% de contrapartida da Clark Solutions. O projeto será realizado em parceria com a Poli-USP e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e utilizará o hidrogênio para substituir o carbono na produção, um processo com potencial para reduzir em mais de 80% as emissões de CO2.
“O grande objetivo prático da iniciativa é transformar a maneira como o minério de ferro é processado atualmente. Na siderurgia tradicional, são utilizados agentes redutores baseados em carbono, o que gera grande volume de gases de efeito estufa. A inovação propõe substituir esse carbono por hidrogênio de baixa emissão, gerado a partir da água (eletrólise). Com essa troca, o principal subproduto liberado pelas chaminés passa a ser apenas vapor d’água, no lugar da fumaça de CO2”, explica o gerente de P&D, da Clark Solutions, Breno Avancini.
Para que a tecnologia chegue ao mercado, será construída uma planta piloto projetada para processar entre 50 e 100 quilos de minério de ferro por hora. É justamente nessa etapa que o conceito comercial de “aço verde” se concretiza: a unidade fará o que a engenharia chama de “redução direta”. Na prática, o hidrogênio é usado para extrair o oxigênio presente no minério. Como o oxigênio é removido e vai embora em forma de vapor, a quantidade final de ferro metálico obtida é menor em massa, porém mais pura e limpa, pronta para a produção do aço.
Antes de chegar a essa escala de até 100 kg, uma unidade experimental menor será montada para calibrar a tecnologia e validar os dados com total segurança. Assim, a Clark Solutions elevará uma tecnologia que hoje existe apenas em fase de desenvolvimento laboratorial (nível TRL 3) para uma demonstração real em escala pré-industrial (nível TRL 7).
A arquitetura do projeto também inova ao focar em unidades menores e modulares. Em vez de depender de infraestruturas gigantescas, essas usinas de redução podem ser instaladas perto de regiões com muita oferta de energia renovável, gerando e consumindo o hidrogênio no mesmo local.
Além de limpar a siderurgia, o projeto resolve um desafio econômico brasileiro: criar demanda para o novo mercado de hidrogênio verde. Ao transformar o hidrogênio na “matéria-prima” que purifica o minério de ferro, o projeto cria um destino de consumo concreto e em larga escala, o que atrai investimentos e ajuda a viabilizar novas usinas de energia limpa no país.
“A contemplação pela Finep representa um marco na trajetória de inovação da Clark Solutions, além de ajudar a posicionar o Brasil de forma altamente competitiva na economia global de baixo carbono”, conclui Breno.