Reduções tarifárias da Islândia para o Brasil entraram em vigor em 1º de outubro; em novembro, vigência bilateral passa a valer com Noruega
Empresas brasileiras passam a ter novas oportunidades de negócios em quatro mercados europeus de alto poder de compra com a entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein reúnem cerca de 15 milhões de consumidores e um PIB de aproximadamente US$ 1,4 trilhão.
As primeiras reduções tarifárias para produtos brasileiros começaram a valer na Islândia em 1º de outubro. Em novembro, será a vez de a redução tarifária entrar em vigor bilateralmente com a Noruega. Suíça e Liechtenstein ainda cumprem etapas para a implementação das condições comerciais.
Para Maurício Manfré, assessor especial da São Paulo Chamber of Commerce, área de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o acordo amplia as possibilidades de diversificação das exportações brasileiras.
“Sem dúvida, é um importante avanço para a inserção internacional das empresas brasileiras e para a diversificação dos mercados de destino das exportações nacionais”, afirma.
Com o Brasil, os países do EFTA registraram em 2025 uma corrente de comércio de US$ 7,81 bilhões, com saldo comercial negativo para os brasileiros (US$ -0,21 bi). Suíça e Noruega concentraram 94% das exportações brasileiras com o bloco. A indústria de transformação teve a maior participação nas vendas do Brasil, sendo que 41% foram concentradas em ouro não monetário (excluindo minérios de ouro e seus concentrados), seguido por óxido de alumínio (32%).
Vigência bilateral com eliminação imediata de tarifas
O acordo foi assinado em setembro de 2025 e sua implementação ocorre de maneira bilateral. Os países da EFTA eliminarão imediatamente as tarifas de importação de todos os produtos industriais e pesqueiros abrangidos pelo acordo, enquanto os produtos agropecuários terão diferentes modalidades de preferência, incluindo eliminação ou redução de tarifas e quotas preferenciais.
Na análise da SP Chamber, o acordo vai além da redução de tarifas, constituindo uma nova plataforma para a expansão da presença das empresas brasileiras em mercados europeus sofisticados, com elevada capacidade de consumo e demanda por produtos diferenciados.
O acordo também estabelece disciplinas relacionadas a regras de origem, facilitação de comércio, serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual, medidas sanitárias e fitossanitárias, barreiras técnicas e desenvolvimento sustentável, aumentando a previsibilidade das relações comerciais entre os dois blocos.
Mercados para produtos de maior valor agregado
Os segmentos brasileiros com melhores perspectivas de ampliação das exportações são os de café torrado, carnes bovina, suína e de aves, milho, farelo de soja, mel, arroz, frutas, sucos, álcool etílico e outros produtos agroindustriais, além de oportunidades em produtos industriais e de maior valor agregado.
A existência das preferências não significa que elas serão automaticamente utilizadas. Para contribuir com as empresas e setores produtivos com interesse no acordo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) disponibilizou manuais sobre desgravação tarifária, regras de origem e indicações geográficas, permitindo conhecer as condições previstas e a aplicação das preferências comerciais.
Segundo declarou a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, o Acordo Mercosul-EFTA amplia as oportunidades para o comércio brasileiro e reforça uma estratégia que é fundamental para o Brasil, que é diversificar mercados, ampliar parceiros e criar novas possibilidades para as empresas brasileiras.
Já a SP Chamber expliqa que, para as pequenas e médias empresas, em especial, o acordo pode representar uma oportunidade de acessar mercados de elevado valor agregado, mas exigirá apoio em inteligência comercial, qualificação para exportação, adequação de produtos e prospecção internacional.
“Os acordos comerciais abrem portas. Cabe agora às empresas brasileiras estarem preparadas para atravessá-las. A verdadeira medida do sucesso do acordo não será apenas a quantidade de tarifas reduzidas, mas o aumento do número de empresas brasileiras capazes de vender de forma contínua e competitiva para esses mercados”, conclui Manfré.