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Setor privado responde positivamente à política industrial: investimentos somam R$ 2,84 tri

Conselho Temático de Política Industrial avaliou, nesta quinta (26), o desempenho da NIB nos últimos 2 anos; balanço revelou também recursos expressivos no agro e no digital

O marco de dois anos da Nova Indústria Brasil (NIB) foi o tema central da primeira reunião de 2026 do Conselho Temático de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico (Copin) da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O encontro foi nesta quinta-feira (26), durante o 11º Congresso de Inovação da Indústria.

O balanço revelou que o setor privado respondeu positivamente à política industrial, com anúncios de investimentos que totalizam R$ 2,84 trilhões. Além disso, o esforço de neoindustrialização já mobilizou recursos expressivos em diversas frentes, como as cadeias agroindustriais (R$ 137,6 bilhões), infraestrutura (R$ 278,1 bilhões) e transformação digital (R$ 114,2 bilhões).

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, os dados mostram que o país voltou a operar a política industrial, alinhando-se a movimentos similares observados em histórias consolidadas como na China, Alemanha e Estados Unidos. Contudo, para que os avanços sejam expressivos, é preciso perenidade dos instrumentos com a consolidação de uma política industrial de Estado.

“Temos recursos expressivos e precisamos otimizar esse uso para garantir entregas em curto e médio prazo. E a indústria brasileira precisa de perenidade para consolidar tecnologias transversais e de vantagens competitivas reais. Não podemos aceitar ter uma das energias mais caras do mundo se quisermos ser um ator global relevante”, exemplificou Ricardo Alban.

O presidente do Copin, Léo de Castro, também ratificou os avanços da retomada da política industrial, mas alertou que ainda existem gargalos logísticos, distorções regulatórias e ineficiências burocráticas acumuladas que drenam a competividade brasileira. “Escolher a indústria é uma decisão estratégica de soberania, justamente porque este é o setor com maior capacidade de promover o desenvolvimento sustentável, mas também o mais sensível ao Custo Brasil, devido às suas cadeias produtivas longas e complexas. Precisamos nos empenhar mais para que essa agenda de desenvolvimento e competitividade seja plenamente ‘comprada’ pelo país”, destacou.

Mais de cinco mil projetos na área de PD&I

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), braço fundamental no financiamento à inovação, reportou a contratação de mais de 5.500 projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I), totalizando cerca de R$ 47 bilhões investidos entre 2023 e o início de 2026. Segundo o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, o rigor técnico tem sido marca da seleção, com 99% dos projetos de subvenção econômica focados em tecnologias inéditas para o Brasil ou para o mundo.

“A indústria é o coração de qualquer processo de desenvolvimento e estamos em uma corrida tecnológica global, especialmente na transição energética e inteligência artificial. O Brasil tem ativos únicos, como biodiversidade e energia limpa, e o crescimento da Finep é um resultado direto da prioridade que o governo dá à agenda de Ciência, Tecnologia e Inovação.”

Resultados e Próximos Passos

O secretário de Desenvolvimento Industrial, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, apresentou o desenho de 25 cadeias produtivas com informações completas para identificar oportunidades de adensamento e desenvolvimento. Segundo ele, o plano de ação de adensamento das cadeias produtivas deverá ser apresentado ainda este ano.

“Trabalhamos intensamente na construção de metas para 2026 e 2033, desenhando 25 cadeias produtivas detalhadas em conjunto com CNI, Finep e BNDES. O diálogo com o setor produtivo funcionou e agora nosso papel é implementar as medidas regulatórias e fiscais necessárias para adensar essas cadeias e modernizar nosso parque fabril.”

Entre os resultados da NIB nos últimos dois anos, Uallace Moreira destacou medidas de curto prazo que mais impulsionaram o setor, como o Programa de Depreciação Acelerada, que busca a modernização fabril, atuando na antecipação do abatimento tributário, o que resulta na melhoria do fluxo de caixa das empresas.

Segundo o secretário do MDIC, uma nova edição do programa pode ser anunciada em breve.

Acordo de cooperação entre a CNI e o MGI

Ao final do encontro, o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, informou a articulação entre a CNI e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) que firmaram um acordo de cooperação técnica para viabilizar as iniciativas previstas na NIB. “Estamos trabalhando para que os instrumentos de política industrial, como as compras públicas e a regulação, impulsionem a produtividade de forma coordenada.”

Destaques do Balanço (2023-2026):

  • Investimentos Públicos Totais: R$ 1,186 trilhão previstos para o período;
  • Execução do Plano Mais Produção: R$ 653,1 bilhões realizados até dez/2025;
  • Finep: R$ 33,9 bilhões em crédito à inovação (3,6x maior que o período 2019-2022);
  • Depreciação Acelerada: R$ 6,4 bilhões investidos em duas fases do programa;
  • Setores com maiores anúncios privados: Construção (R$ 1,06 trilhão), Energias Renováveis (R$ 380,1 bilhões) e Agroindústria (R$ 296,3 bilhões).

Fonte: https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/politica-industrial/setor-privado-responde-positivamente-a-politica-industrial-investimentos-somam-r-284-tri/