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Setor de máquinas e equipamentos cresce 7,3% em 2025 e projeta expansão de 4% nesse ano

O mercado brasileiro de máquinas e equipamentos industriais encerrou o ano de 2025 com faturamento líquido total de R$ 298.982,38 milhões, com crescimento de 7,3% na comparação com o ano anterior. O resultado positivo foi obtido apesar de o setor ter fechado o mês de dezembro de 2025 com receita líquida total de R$ 21.236,64 milhões, uma queda de 9,9% em relação ao mês de novembro passado e redução de 3% na comparação com dezembro de 2024. Os dados foram divulgados pela Abimaq no dia 28 de janeiro.

“Em 2025 tivemos um primeiro semestre forte e depois desaceleração”, disse Cristina Zanella, diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, frisando que o crescimento ocorreu tanto no mercado doméstico, como no internacional.

Para 2026, as expectativas, segundo a diretora, são de novo crescimento, embora em ritmo mais lento. A receita líquida total deverá crescer 4% e a receita interna bruta deve apresentar expansão de 5,6%. As exportações devem apresentar estabilidade.

No mercado interno, o faturamento líquido em 2025 somou R$ 221.680,89 milhões, com crescimento de 8,4% em relação a 2024. Em dezembro, a receita líquida no mercado doméstico de R$ 13.432,41 milhões é 20% menor que a do mês de novembro e 10,5% inferior ao do mesmo mês de 2024.

EXPORTAÇÕES – Em 2025, as exportações totalizaram US$ 13.821,61 milhões, crescimento de 5% em relação a 2025. No mês de dezembro, as vendas externas somaram US$ 1.431,16 milhões, com crescimento de 12,6% em relação ao mês anterior e 30,2% na comparação com o mesmo mês de 2024.

“Houve, no período, aumento na quantidade exportada que, aliado ao crescimento das vendas para países da América Latina e Europa, compensou as perdas decorrentes da desaceleração do mercado norte-americano e queda dos preços internacionais”, diz o relatório distribuído aos jornalistas pela Abimaq.

No acumulado do ano de 2025, dentre os setores com melhora nas vendas externas, se destacaram os fabricantes de máquinas para infraestrutura, agricultura e de componentes direcionados para extração de petróleo. Por outro lado, houve queda nas exportações de equipamentos para indústria de transformação (fornos, moldes, equipamentos para solda, controle de qualidade e outros).

Apesar da queda de 9,1% nas vendas para os Estados Unidos, em razão do aumento na alíquota do imposto de importação de máquinas brasileiras, o aumento de 38,4% nas exportações para a Argentina, de 74,3% para Cingapura, de 17% para o Chile e de 22,5% para o Peru, resultaram em crescimento nas exportações. Em razão deste resultado, os Estados Unidos que até 2024 eram responsáveis por 27% do total das exportações de máquinas brasileiras, em 2024 passaram a representar 23% do total.

IMPORTAÇÕES – Em 2025, importações setoriais totalizaram US$ 32.172,72 milhões, 8,3% a mais que no ano anterior. É o maior nível da história do país. No mês de dezembro de 2025, as importações foram de US$ 2.950,02 milhões, 19% a mais que em novembro e 12,2% acima do observado no mesmo mês de 2024.

O relatório da Abimaq indica que, depois das crises de 2015-2016 e da pandemia da Covid-19 em 2020, o movimento de substituição da produção nacional por bens importados ganhou força. Esse movimento fez aumentar o déficit na balança comercial de máquinas e equipamentos do país de uma média de US$ 8 bilhões naquele período para mais de US$ 18 bilhões em 2025, um aumento de mais de 120% em 15 anos. Considerando apenas os dois últimos anos (2024-2025) a piora no déficit da balança comercial foi de quase 45%.

No ano o crescimento das importações foi observado em seis das sete atividades econômicas mapeadas. Destacaram-se os aumentos nas importações de máquinas para infraestrutura, para bens de consumo e para a indústria de transformação. As importações de máquinas e equipamentos, em 2025, representaram 46% do consumo nacional, proporção semelhante à observada em 2024, mas quase o dobro da participação observada antes de 2014.

No acumulado de 2025, a China continuou com participação elevada no total importado pelo Brasil (32,5%). Houve no período crescimento de 12,1% das importações da China em relação a 2024, o que ampliou a distância em relação aos tradicionais fornecedores de máquinas e equipamentos no Brasil.

OUTROS INDICADORES – O consumo aparente de máquinas e equipamentos registrou queda em dezembro de 2025. Em relação ao mesmo mês de 2024 o recuo foi de 7,5%, passando de R$ 32,63 bilhões em dezembro de 2024 para R$ 30,18 bilhões em dezembro de 2025.

Em 2025, apesar da queda acumulada no último trimestre (-6%), o consumo de máquinas superou o resultado de 2024 em +7,9%. O crescimento dos investimentos no ano foi quase que generalizado. Dentre as atividades com crescimento no nível de investimento em 2025 se destacaram os fabricantes de bens de consumo, logística, construção civil e componentes.

O nível de utilização da capacidade instalada do setor de máquinas e equipamentos registrou leve recuperação em relação ao mês de novembro (0,3%) e atingiu 78,4% em dezembro de 2025, valor 7,1% superior ao observado em dezembro de 2024 (73,2%).

A carteira de pedidos também registrou expansão em dezembro, recuperando parte da queda acumulada desde junho de 2025, quando iniciou o ciclo de desaceleração no setor. A indústria de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com uma carteira de pedidos equivalente a 9,5 semanas, 4% acima à de 2024.

O setor de máquinas e equipamentos registrou melhora no número de pessoas empregadas e encerrou o ano com 414,3 mil colaboradores. Na comparação com 2024 o setor teve um acréscimo de 15.512 pessoas.

Fonte: https://ipesi.com.br/setor-de-maquinas-e-equipamentos-cresce-73-em-2025-e-projeta-expansao-de-4-nesse-ano/