Últimas Notícias

Porto de São Sebastião completa 71 anos com retomada e melhor resultado em cinco anos

Receita recorde, diversificação de cargas e novos acessos rodoviários recolocam o terminal na estratégia logística paulista

Reconhecida como uma das melhores regiões portuárias do país pela profundidade natural do canal, São Sebastião vive um momento simbólico em sua trajetória logística. Nesta terça-feira (20), o Porto de São Sebastião completa 71 anos em um cenário marcado pela retomada operacional, crescimento da movimentação de cargas e fortalecimento de sua relevância estratégica para o Estado de São Paulo.

O terminal encerrou 2025 com receita recorde de R$ 75 milhões — um crescimento de 29% em relação a 2024 — alcançando o melhor resultado financeiro e operacional dos últimos cinco anos. O desempenho consolida uma fase de inflexão após um longo período de estagnação e reposiciona o porto no mapa logístico paulista.

Inaugurado em janeiro de 1955 como alternativa estratégica ao eixo Santos–capital, o porto só atingiu operação plena em 1963. Ao longo de mais de sete décadas, sua trajetória foi marcada por ciclos de expansão, readequações e desafios operacionais. Agora, a combinação entre investimentos em infraestrutura, ganhos logísticos e diversificação de cargas recoloca o terminal no centro das decisões estratégicas do setor portuário.

Vantagens naturais e novos acessos impulsionam competitividade

Entre os principais diferenciais do Porto de São Sebastião está o canal natural profundo, com até 42 metros, que permite a atracação de navios de grande calado sem a necessidade de dragagens frequentes — uma vantagem competitiva rara no sistema portuário brasileiro.

A logística de acesso também passou por uma transformação estrutural. Com a entrada em operação do Contorno Sul da Rodovia dos Tamoios, o tempo médio de deslocamento entre Caraguatatuba e o porto foi reduzido de cerca de 45 minutos para apenas 16 minutos, eliminando gargalos históricos no escoamento de cargas no Litoral Norte.

Os números confirmam a retomada. Em 2024 e 2025, a movimentação de cargas superou em mais de 50% a média anual registrada até 2023. No biênio, foram 2,96 milhões de toneladas movimentadas — 1,53 milhão em 2024 e 1,44 milhão em 2025 — patamar superior ao de qualquer período equivalente nos quatro anos anteriores.

Em 2025, as principais mercadorias movimentadas foram açúcar (473,9 mil toneladas), barrilha (380,9 mil toneladas), malte e cevada (209 mil toneladas) e coque de petróleo (105 mil toneladas). Após cerca de 25 anos, o porto voltou a operar a movimentação de trigo — retomada considerada simbólica pela atual administração.

História e reposicionamento estratégico

A história do Porto de São Sebastião, no entanto, antecede sua inauguração. Em 1934, a União autorizou o Estado de São Paulo a construir e explorar o terminal, em um contexto de expansão da infraestrutura portuária nacional. Desde então, o porto acompanhou as transformações do parque industrial paulista e as mudanças nos fluxos do comércio exterior brasileiro, consolidando-se como um ativo estratégico ao longo das décadas.

Esse percurso histórico se conecta, agora, a um novo ciclo de gestão e planejamento. Administrado pela Companhia Docas de São Sebastião, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Governo de São Paulo, o terminal passa por um processo de reorganização administrativa baseado em previsibilidade operacional, eficiência logística e reinvestimento da receita.

“A recuperação não é pontual; ela está ligada a decisões estruturais que reposicionam o porto no sistema logístico paulista”, afirma o diretor-presidente, Ernesto Sampaio.

Expansão prevista e investimentos privados no horizonte

No horizonte, está previsto para o segundo semestre de 2026 o leilão de um terminal multipropósito, conduzido pelo governo federal. O projeto prevê R$ 2,5 bilhões em investimentos privados em uma área de 426 mil m², com a construção de um píer e dois novos berços de atracação. A ampliação pode elevar em até 187% a capacidade operacional, com potencial para atingir a movimentação de 4,3 milhões de toneladas de granéis por ano, além de 1,3 milhão de contêineres.

Como parte da preparação para o aumento da movimentação, o porto colocou em operação dois pátios de triagem com cerca de 300 vagas para caminhões, iniciativa que contribui para a redução do trânsito no entorno urbano e para a melhoria das condições de trabalho dos motoristas.

A agenda ambiental também ganhou protagonismo. O desempenho rendeu 96,31 pontos no Índice de Desempenho Ambiental da Antaq, além do 7º Prêmio Antaq, na categoria Desenvolvimento Ambiental. No eixo ESG, o Porto de São Sebastião conquistou o segundo lugar na categoria Desempenho ESG – Portos Públicos, no XII Congresso Internacional de Desempenho Portuário (Cidesport), e ficou em primeiro lugar na categoria Crescimento da Movimentação de Cargas – Variação Percentual do Prêmio Portos + Brasil.

Setenta e um anos após sua abertura — e quase um século depois da autorização para sua construção —, o Porto de São Sebastião volta a ocupar espaço no debate estratégico da logística paulista, impulsionado por obras estruturantes como a dragagem do berço principal, a pavimentação de áreas de armazenagem e as melhorias nas vias internas para circulação de caminhões.

Fonte: https://semil.sp.gov.br/2026/01/porto-de-sao-sebastiao-completa-71-anos-com-retomada-operacional-e-melhor-resultado-em-cinco-anos/