Intervenção no trecho paulista vai triplicar a capacidade de transporte da Hidrovia Tietê-Paraná e assegurar navegabilidade mesmo em períodos de estiagem severa
As obras de ampliação do canal de navegação de Nova Avanhandava, na Hidrovia Tietê-Paraná, alcançaram 74% de execução. O avanço foi apresentado nesta semana durante o workshop “Hidrovia Tietê-Paraná – Trecho Paulista”, promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por meio da Subsecretaria de Logística e Transportes (SLT).
O encontro, de caráter técnico, foi realizado para a troca de experiências entre a Pasta e técnicos da Eletrobras, instituição que tem como missão aplicar recursos em outros reservatórios por meio dos Comitês Gestores. A iniciativa permitiu alinhar práticas e compartilhar aprendizados voltados à eficiência e à sustentabilidade das obras.
Durante a abertura, o subsecretário de Logística e Transportes da Semil, Denis Gerage Amorim, ressaltou a importância da Hidrovia Tietê-Paraná como um dos pilares estruturantes da infraestrutura de transporte. “A obra do canal de Nova Avanhandava foi concebida com foco em um futuro mais sustentável e eficiente. A partir do próximo ano, o escoamento da produção ganhará mais agilidade, refletindo diretamente na competitividade do estado de São Paulo e também do país”, afirmou.
A ampliação da hidrovia reforça seu papel estratégico no transporte de cargas agrícolas, especialmente grãos e farelos, vindos não apenas do interior paulista, mas também de estados como Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, com destino ao Porto de Santos — principal rota de exportação do Brasil.
Com investimento estimado em R$ 293 milhões, o projeto está em fase final e tem previsão de conclusão em 2026. A intervenção ocorre em um trecho de 16 km a jusante da eclusa de Nova Avanhandava, entre Buritama e Brejo Alegre. Nessa área, o leito do rio está sendo derrocado para alcançar 60 metros de largura e 3,5 metros de profundidade. Ao final, cerca de 553 mil m³ de rochas terão sido removidos, o que permitirá triplicar a capacidade de transporte da hidrovia: de 2,5 milhões para até 7 milhões de toneladas anuais.
Até o momento, já foram retirados aproximadamente 300 mil m³ de rochas — volume equivalente a 120 piscinas olímpicas. Todo o material está sendo reaproveitado localmente, reduzindo emissões de CO₂ e evitando centenas de viagens de caminhões pelas rodovias.
Obra estratégica assegura navegabilidade mesmo em estiagens
A ampliação do canal é essencial para manter a navegabilidade da hidrovia mesmo em períodos de estiagem severa, reduzindo riscos de paralisação no escoamento de cargas. Antes da retomada pelo Governo de São Paulo, em 2023, as obras estavam paralisadas desde 2019, o que agravou os impactos das crises hídricas de 2021/2022 — semelhantes às de 2014/2015 — quando os reservatórios atingiram os níveis mais baixos da história. A decisão de reativar o projeto representa uma visão de longo prazo para proteger a produção e garantir previsibilidade em cenários climáticos desafiadores.
Um dos diferenciais da obra é o uso da tecnologia de plasma no desmonte controlado de rochas, aplicada de forma complementar aos explosivos. Nesse método, cartuchos são acionados por corrente elétrica, provocando reação termoquímica exotérmica a partir de sais metálicos (como nitrato de sódio, óxido de alumínio, magnésio e óxido de cobre). O processo gera expansão gasosa em ambiente confinado, fragmentando as rochas com alta eficiência e mínima propagação de vibrações.
Além de aumentar a precisão das detonações, o plasma reduz significativamente os impactos ambientais. A tecnologia diminui a vibração do leito rochoso e é especialmente indicada para trechos que exigem maior controle. Também contribui para a preservação da fauna aquática, pois é associada a um sistema de cortina de bolhas que afasta os peixes da área de intervenção. Com cerca de três meses de aplicação na obra, os resultados têm mostrado ganhos relevantes em eficiência operacional e segurança ambiental, reforçando o caráter inovador do projeto.
Localizada no Noroeste paulista, a Hidrovia Tietê-Paraná conecta São Paulo a Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná, consolidando-se como elo de integração econômica e como atrativo turístico. Só em 2025, mais de 43 mil passageiros já utilizaram embarcações em roteiros turísticos pelo rio, com destaque para a eclusa de Barra Bonita. Com a ampliação do canal de Nova Avanhandava, o Estado dá mais um passo decisivo no fortalecimento da infraestrutura hidroviária e na construção de uma matriz de transporte mais equilibrada, econômica e sustentável para o Brasil.