Últimas Notícias

Obra no Tietê-Paraná entra na reta final e promete revolução

A ampliação do canal de Nova Avanhandava, na Hidrovia Tietê-Paraná, entrou na fase decisiva e já alcança 97% de execução. Nesta terça-feira (15), o projeto passou pela última vistoria técnica antes da entrega oficial, prevista para junho. Considerada uma das principais intervenções logísticas em andamento no país, a obra recebeu investimento de cerca de R$ 300 milhões.

A inspeção foi acompanhada pelo subsecretário de Logística e Transportes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Denis Gerage Amorim, e marca a reta final de um projeto que deve provocar impactos diretos na economia regional e nacional.

Com a conclusão, a capacidade de transporte da hidrovia deve praticamente triplicar, saltando de cerca de 2,5 milhões para até 7 milhões de toneladas por ano. O avanço fortalece o escoamento da produção agrícola e industrial, além de ampliar a competitividade brasileira ao oferecer uma alternativa mais eficiente ao transporte rodoviário.

Localizada no noroeste paulista, a hidrovia é um dos principais corredores logísticos do país, conectando regiões produtoras ao Porto de Santos. A intervenção ocorre no trecho entre Buritama e Brejo Alegre e inclui o desmonte de rochas ao longo de aproximadamente 16 quilômetros de canal.

Ao final, cerca de 553 mil metros cúbicos de rochas terão sido removidos – volume equivalente a mais de 200 piscinas olímpicas – permitindo ampliar o canal para cerca de 60 metros de largura e profundidade mínima de 3,5 metros.

Um dos destaques da obra é o uso de tecnologia inédita no setor hidroviário brasileiro: o desmonte de rochas com plasma. A técnica, combinada com métodos tradicionais, garante maior precisão nas intervenções, reduz impactos ambientais e pode se tornar referência para novos projetos no país.

Segundo Denis Gerage Amorim, a inovação coloca o estado de São Paulo em posição de destaque. “A incorporação de tecnologias não usuais em obras hidroviárias eleva o nível de precisão, reduz impactos ambientais e cria um modelo que pode ser replicado em outras regiões”, afirmou.

Operação contínua e mais eficiência

Em entrevista exclusiva à Folha da Região, Denis detalhou as estratégias para garantir o funcionamento pleno da hidrovia após a entrega da obra. Segundo ele, o rebaixamento do canal é o principal fator para assegurar a navegabilidade mesmo em cenários críticos.

“A intervenção garante profundidade mínima do canal, o que permite uma operação ininterrupta, mesmo em períodos de estiagem severa. Ainda que o nível da água baixe, a navegação será mantida”, destacou.

Ele acrescenta que o próximo passo será ampliar a eficiência operacional. “Vamos avançar com a construção de pontos de espera, dar mais agilidade ao tráfego, além de ampliar vãos de pontes e reforçar a proteção de pilares. Isso traz mais fluidez para a navegação e fortalece toda a operação logística”, explicou.

Tecnologia inédita vira modelo nacional

Sobre o uso do plasma, o subsecretário afirmou que a técnica já começa a repercutir em nível nacional. “São intervenções inéditas no Brasil, especialmente em obras subaquáticas. O modelo adotado em São Paulo tem servido de referência inclusive para o governo federal, em projetos de outras hidrovias”, disse.

De acordo com ele, o estado assume papel de protagonismo. “São Paulo se coloca como precursor nesse tipo de solução. Um exemplo é o caso do Pedral de São Lourenço, no Norte do país, onde iniciativas semelhantes vêm sendo adotadas a partir dessa experiência”, completou.

Impacto ambiental e sustentabilidade

Além de aumentar a eficiência das detonações, a tecnologia de plasma contribui para a preservação ambiental. O método reduz vibrações no leito do rio e, aliado a uma cortina de bolhas, ajuda a afastar peixes das áreas de intervenção.

Outro benefício importante é a redução de até 82% na emissão de gases de efeito estufa em comparação com o transporte rodoviário, reforçando o papel da hidrovia como alternativa sustentável.

Mais fluidez no tráfego

Durante a vistoria, também foram entregues oito novos pontos de espera ao longo do canal. As estruturas servem de apoio para embarcações e devem reduzir em até 30% o tempo de espera no processo de eclusagem, aumentando a eficiência operacional.

Navegabilidade garantida mesmo na seca

A obra também é considerada estratégica para enfrentar períodos de estiagem severa. A ampliação do canal garante a manutenção da navegabilidade, evitando paralisações no transporte de cargas — problema registrado em crises hídricas recentes.

Retomado pelo Governo de São Paulo em 2023, após anos de paralisação, o projeto representa uma medida de longo prazo para assegurar previsibilidade logística mesmo diante de cenários climáticos adversos.

Fonte: https://sampi.net.br/aracatuba/noticias/2973836/aracatuba/2026/04/obra-no-tieteparana-entra-na-reta-final-e-promete-revolucao