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Hidrosis: parceria entre Poli-USP e governo de SP vai desenvolver tecnologias para ampliar uso de hidrovias

Com foco na aplicação de ferramentas como réplicas virtuais (gêmeos digitais), a iniciativa busca formular políticas públicas e integrar municípios do interior aos grandes fluxos logísticos e ao Porto de Santos até 2030

Uma parceria entre o governo de São Paulo e a Escola Politécnica (Poli) da USP formalizou a criação do Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sistemas Hidroviários Interiores (Hidrosis). O objetivo é ampliar o uso das hidrovias como vetor de desenvolvimento econômico no Estado. A execução do projeto está prevista para ocorrer entre 2026 e 2030. André Bergsten Mendes, professor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli e coordenador do centro, explica que o projeto surgiu a partir da constatação de que o Estado de São Paulo possui uma infraestrutura hidroviária importante, mas ainda pouco utilizada.

Sobre o Hidrosis

“A hidrovia Tietê-Paraná possui mais ou menos 2.400 quilômetros de vias navegáveis e representa um patrimônio público muito expressivo. Mas, apesar disso, a movimentação de cargas está muito abaixo da capacidade originalmente prevista para a hidrovia. Em 2017, que foi um dos melhores anos de movimentação de carga, o volume transportado não chegou a 20% da capacidade projetada”, afirma Mendes.

Nesse sentido, o objetivo do Hidrosis é aproveitar melhor a hidrovia e transformá-la em instrumento para o desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo. Segundo o professor, o setor hidroviário vive um momento importante, com empresas privadas e o próprio governo voltando a investir no modal.

O Hidrosis recebe investimento da Fapesp e conta com a parceria de um órgão público, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). “A ideia central dessa parceria é aproximar o conhecimento científico produzido na Universidade das necessidades concretas do poder público e do setor produtivo, dando subsídios para a formulação de políticas públicas”, explica Mendes.

A Poli é responsável pelo desenvolvimento das pesquisas, realizadas em diferentes áreas, enquanto a Semil define questões estratégicas e articula ações com prefeituras, empresas privadas e outras instituições.

Hidrovia Tietê-Paraná é foco do projeto

A hidrovia Tietê-Paraná conecta as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País. O projeto contempla o desenvolvimento de equipamentos e embarcações mais modernas, com possibilidade de utilização de combustíveis alternativos, além de melhorias na organização do sistema de transporte.

Entre as tecnologias estudadas estão os chamados gêmeos digitais, réplicas ou representações virtuais de objetos e sistemas. A tecnologia poderá ser aplicada a trechos da hidrovia ou até mesmo a todo o sistema. “Fazendo uso de ferramentas de simulação e otimização, a gente consegue prever, antever e avaliar intervenções na via e no sistema, identificando os gargalos e desenvolvendo estratégias para tornar a operação mais eficiente”, afirma o pesquisador.

O investimento da Fapesp é de R$ 3,9 milhões e prevê a combinação de novas obras e estudos para aumentar a participação do transporte hidroviário na logística paulista nos próximos anos. Uma das preocupações é fortalecer a economia dos municípios localizados ao longo do percurso. “A gente quer investigar se é possível estabelecer novos fluxos nessa região. Então, não é só fomentar e garantir que temos aqueles fluxos de passagem, voltados para o Porto de Santos, para exportação, mas também para o desenvolvimento econômico na região”, afirma Mendes.

A execução do projeto está prevista para ocorrer entre 2026 e 2030. Um dos projetos já em andamento é a ampliação do canal de Nova Avanhandava, na região de Buritama. Para Mendes, a iniciativa demonstra a importância do conhecimento científico produzido na Universidade para a construção de soluções concretas voltadas ao desenvolvimento da sociedade.

Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/parceria-da-usp-visa-desenvolver-sistemas-hidroviarios-interiores/