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Megaterminal do Porto de Santos terá maior leilão portuário do Brasil; disputa entra no radar da JBS

CEO diz que empresa aguarda a publicação do edital para analisar investimentos, regras e viabilidade econômica do terminal

A JBS Terminais estuda a possibilidade de participar do leilão do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó, no Porto de Santos. A sinalização foi dada pelo CEO da companhia, Aristides Russi Jr., durante entrevista coletiva nesta terça-feira (13), em Itajaí (SC), único local onde a empresa mantém operação portuária no Brasil.

Apesar de admitir oficialmente que avalia entrar na disputa, a JBS ainda evita confirmar a participação. Questionado por A Tribuna sobre a posição da empresa em relação ao projeto, o CEO afirmou que a companhia aguarda a publicação do edital para avançar na análise.

“Nós esperávamos que o edital já tivesse sido publicado, para que a equipe (da JBS) tivesse acesso a todas as condições do leilão e pudesse, de fato, fazer a nossa modelagem e entender os desafios”, afirmou. “Já existem algumas indicações, mas a gente prefere ter acesso à íntegra do material para tomar uma decisão”.

Em novembro do ano passado, ele havia condicionado uma manifestação da empresa à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que ocorreu em 8 de dezembro. Nesta terça-feira (13), Russi Jr. disse que, ainda assim, parte das incertezas permanece, especialmente no campo operacional e econômico.

“O montante de investimentos se conhece superficialmente. Muitas dúvidas operacionais que existiam no edital passado ainda são dúvidas do mercado”, disse, ressaltando que nem todas as questões foram plenamente esclarecidas.

Um dos principais pontos de atenção, segundo o CEO, é a capacidade real do terminal. “Todo mundo fala em 3,2 milhões de TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), mas existem sérias dúvidas se essa é, de fato, a capacidade do terminal. Isso muda substancialmente o modelo econômico do negócio”, destacou.

Russi Jr. também citou a indefinição sobre a infraestrutura de acesso como fator decisivo para a avaliação do projeto. “A questão da ferrovia, se está ou não está, muda completamente o modelo do negócio. Não dá para afirmar hoje o que vai acontecer”, afirmou.

A Tribuna, então, pediu ao executivo que comentasse sobre o valor mínimo de outorga (valor que o vencedor precisará pagar ao poder público), fixado pelo Governo Federal em R$ 500 milhões. E também a respeito das restrições impostas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ao certame. Pela decisão do órgão de controle, ficam impedidas de participar do leilão empresas que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos, assim como todos os armadores (donos de navios). Essas regras beneficiariam a JBS com menos concorrentes e um valor de outorga abaixo do estimado pelo mercado, de mais de R$ 1 bilhão.

Russi Jr. reforçou que a empresa acompanha o processo, mas ainda sem conclusões fechadas. “As regras cabem ao governo. Nós estamos atentos, olhando o que está acontecendo e entendendo quais oportunidades são aderentes ao negócio da JBS”, disse.

Segundo ele, a companhia tem agilidade na tomada de decisões, mas não abre mão de segurança técnica. “A empresa é veloz em tudo o que se propõe a fazer. A gente deve ter, no tempo certo, uma definição”, frisou. “Precisamos ter acesso a alguns documentos que devem sair em breve e que vão dar mais serenidade ao nosso trabalho de casa”, ponderou.

O CEO destacou ainda o caráter estratégico do Tecon Santos 10 para a logística nacional. “O Porto de Santos é a principal porta de entrada do País. É onde se define como os armadores vão se encaixar na rotação no Brasil”, afirmou.

Andamento

Na última segunda-feira, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) encaminhou à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a modelagem final do leilão do Tecon Santos 10, no mesmo dia em que definiu o valor mínimo de outorga. O projeto incorpora as restrições determinadas pelo TCU e o leilão está previsto para março.

O Ativo

O Tecon Santos 10 será o maior terminal de contêineres da América do Sul. Ele ocupará 621,9 mil metros quadrados (m²), com capacidade para 3,25 milhões de TEU (medida equivalente a um contêiner de 20 pés) ao ano, além de 91 mil toneladas de carga geral. Com previsão de investimentos de R$ 6,45 bilhões no terminal, o prazo do contrato será de 25 anos, com início da vigência previsto para 2026.

Fonte: https://www.atribuna.com.br/noticias/portomar/megaterminal-do-porto-de-santos-tera-maior-leil-o-portuario-do-brasil-disputa-entra-no-radar-da-jbs-1.496208