Em 2024, agro de SP contemplou 4,34 milhões trabalhadores, o que corresponde a 17,2% da população ocupada de todo o estado e 15,3% da população ocupada do agronegócio brasileiro
Pesquisa inédita da Fiesp e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) revela que a população ocupada do agronegócio paulista fechou 2024 com 4,34 milhões de trabalhadores, registrando um leve crescimento de 0,3% em relação ao ano anterior. Essa parcela corresponde a 15,3% da população ocupada do agronegócio brasileiro e a 17,2% da população ocupada de todo o estado de São Paulo, o que indica a relevância do setor no mercado de trabalho paulista.
De acordo com o levantamento Mercado de Trabalho do Agronegócio do Estado de São Paulo (https://www.fiesp.com.br/file-20260327210813-deagro-mercado-de-trabalho/), dentre os segmentos do agronegócio, o único com saldo positivo do número de pessoas ocupadas foi a agroindústria (+9,2%), que incrementou seu contingente em 91.450 pessoas.
“Esse montante foi capaz de mais do que compensar as perdas ocorridas nos demais segmentos e gerar um saldo positivo de 11.395 pessoas ocupadas no agregado do agronegócio do estado”, esclarece o diretor do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Roberto Betancourt. Esse crescimento foi puxado, principalmente, pelas indústrias de massas e outros (+43.410), móveis de madeira (+10.791), têxteis de base natural (+9.981), abate de animais (+9.556) e bebidas (+9.134).
O segmento de agrosserviços, embora não tenha apresentado a maior queda relativa (-2,3%), foi responsável pela maior perda absoluta do agronegócio, com saldo negativo de 51.523 pessoas ocupadas entre 2023 e 2024, puxado pelas atividades de comércio (-26.658) e transporte, armazenagem e correio (-4.858).
O segmento de insumos apresentou queda de 1,7% no número de pessoas ocupadas entre 2023 e 2024, o que equivale a um total de 2.129 pessoas. Dentre as atividades que compõem o segmento de insumos, as maiores quedas ocorreram para máquinas agrícolas (-6.016) e fertilizantes (-1.967). Por outro lado, a produção de rações aumentou sua população ocupada em 5.544 pessoas.
O segmento primário foi responsável pela maior queda relativa (-3,9%) no período, reduzindo o quantitativo da população ocupada em 26.403 pessoas, com destaque para atividades como a da cana-de-açúcar (-5.557), horticultura (-5.468) e soja (-5.334). Crescimento modesto foi identificado na pesca e aquicultura (+3.773), produção de sementes e mudas certificadas (+3.215), uva (+2.305) e flores e plantas ornamentais (+1.073).
Agrosserviços e Agroindústria são os segmentos com maior participação da população ocupada
No que diz respeito à distribuição da população ocupada entre os segmentos, a agroindústria respondeu por 25% dessa parcela, com 1,1 milhão de pessoas – embora tenha registrado uma redução de 10% em sua participação, equivalente a três pontos percentuais a menos em relação ao nível de 2012 (quando representou 27% do total dos ocupados). Quem ocupou a liderança entre os segmentos com maior participação da população ocupada em 2024 foi o segmento de agrosserviços, com 51% do total ou 2,23 milhões de trabalhadores, apresentando poucas oscilações ao longo da série histórica.
O segmento primário representou 15% da população ocupada em 2024, proporção que indica queda mais acentuada: redução de 22% ou 4 pontos percentuais em comparação ao percentual de 2012 (19%). Em 2024, o segmento, ou a agropecuária paulista, foi ocupação para 653 mil trabalhadores.
O segmento de insumos, apesar de ter ampliado sua participação no período, manteve-se como o de menor representatividade, com 3% da população ocupada em 2024, ou 124 mil pessoas ocupadas. Acima dele ficou o autoconsumo, cuja participação cresceu entre 2012 e 2019 e, a partir de então, permaneceu estável em 6% do total.
A composição da população ocupada (PO) do agronegócio paulista evidencia, assim como o seu PIB, uma característica estrutural do setor no estado: a predominância dos segmentos fora da porteira. Em contraste com o cenário nacional — no qual a agropecuária concentra 46% das ocupações, e a agroindústria responde por 16,8% do total —, o agronegócio paulista apresenta uma participação significativamente mais elevada da agroindústria, refletindo um perfil produtivo mais industrializado.
Maior parcela da população ocupada possui carteira assinada
O número de empregados com carteira assinada representou a maior parcela da população ocupada do agronegócio paulista em 2024, 55% do total. Entretanto, essa categoria perdeu 5 pontos percentuais de participação na população do agronegócio entre 2012 e 2024, após passar por variações expressivas no número total de trabalhadores. Já número de trabalhadores sem carteira assinada apresentou oscilações ao longo da série, com retrações no período da pandemia e novo pico em 2023, seguido de queda em 2024. Apesar das oscilações, a categoria tem mantido sua participação na população ocupada, que gira em torno de 11% do total, ao longo da série.
“Esse comportamento indica que o grau de formalização do trabalho no agronegócio paulista tem se mantido pouco superior aos 80% ao longo dos anos analisados”, aponta Betancourt.
No agronegócio brasileiro, em 2024, o grau de formalização foi de aproximadamente 67%, enquanto os empregados sem carteira assinada e a população ocupada exclusivamente para autoconsumo representaram, respectivamente, 15,26% e 17,85% da força de trabalho do setor.
Os empregadores também têm mantido participação estável no total da população ocupada do setor, em torno de 5% ao longo da série histórica, com um total de 184,7 mil empregadores em 2024, número 6,1% menor que o apresentado no ano anterior e 9,9% superior ao registrado em 2012. Essa categoria representou 4% da população ocupada em 2024.
A segunda categoria com maior participação na população ocupada é a de conta própria, que aumentou sua representatividade de 16% em 2012, ano em que registrou o total de 678,1 mil pessoas, para 21% em 2024, atingindo o total de 908,5 mil pessoas ocupadas, segundo maior registro da série para a categoria. Nesse período, a categoria conta própria passou por crescimento de 34%.
As categorias familiar auxiliar e autoconsumo apresentaram tendências opostas ao longo da série, com redução de 36,5% do número de trabalhadores familiares auxiliares e aumento de 127% para o autoconsumo. Elas representaram, em 2024, 3% e 6%, do total de população ocupada, o que equivale aos totais de 126,2 mil e 244,2 mil pessoas ocupadas, respectivamente.
Trabalhadores com nível superior já são 27% da população ocupada total
De acordo com a apuração da Fiesp, a tendência de aumento do grau de instrução das pessoas ocupadas se manteve entre 2023 e 2024. O número de trabalhadores sem instrução apresentou redução de 14,9% (-11.396 pessoas) e a população ocupada com ensino fundamental apresentou queda de 1,9% (19,251 pessoas ocupadas a menos).
“Essa redução das categorias de menores níveis de instrução está associada ao aumento absoluto e relativo do número de pessoas ocupadas com maiores graus de escolaridade”, destaca Betancourt. “Essa tendência não é exclusiva do estado de São Paulo, o mesmo comportamento tem sido observado no agronegócio brasileiro”, acrescenta o empresário.
O número de pessoas ocupadas com ensino médio no agronegócio aumentou 0,7% entre 2023 e 2024, um incremento de 13.965 pessoas, passando a representar praticamente a metade (49%) de toda a população ocupada do agronegócio em 2024. O grupo de pessoas ocupadas com nível superior, por sua vez, teve o maior crescimento relativo e absoluto entre 2023 e 2024 (+2,5%), incrementando a população em 28.077 pessoas com ensino superior e passando a representar 27% da população ocupada total em 2024.
Presença feminina em crescimento
O trabalho desenvolvido pela Fiesp mostra que o número de pessoas ocupadas do sexo feminino cresceu 1,6% (+27.771 pessoas) entre 2023 e 2024, enquanto a população masculina apresentou redução de 0,6% (-16.376 pessoas) durante o mesmo período.
“A inclusão de mulheres no mercado de trabalho no agronegócio paulista é um fenômeno contínuo, porém ocorre de forma lenta, à medida em que atividades tradicionalmente exercidas por homens, como aquelas exercidas ‘dentro da porteira’ [plantio, colheita, tratos culturais] vêm perdendo espaço para funções mais relacionadas aos agrosserviços, nas quais as mulheres ocupam maior espaço”, observa o diretor do Departamento do Agronegócio da Fiesp.
A presença feminina no agronegócio tem crescido de forma consistente, impulsionada pela maior inserção de mulheres nas atividades fora da porteira, especialmente na agroindústria e nos agrosserviços. Os dados indicam que a participação feminina avança em ritmo superior ao da masculina, com taxa de crescimento acumulada maior para as mulheres entre 2012 e 2024 (8,8% contra 2,1% da população masculina). Em 2024 foram registrados 2,61 milhões de homens e 1,73 milhão de mulheres no agronegócio do estado de São Paulo.
Confira na íntegra o levantamento Mercado de Trabalho do Agronegócio do Estado de São Paulo: https://www.fiesp.com.br/file-20260327210813-deagro-mercado-de-trabalho/