Vendas para outros países chegaram a US$ 390,58 milhões, contra US$ 361,60 milhões do mesmo período de 2025
A Região Metropolitana de Campinas (RMC) começou o ano com alta de 8,01% nas exportações, que chegaram a US$ 390,58 milhões (R$ 2,02 bilhões), contra US$ 361,60 milhões (R$ 1,87 bilhão) de janeiro de 2025. Foi o segundo melhor resultado para o mês em 14 anos, de acordo com a Comex Stat, plataforma da balança comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, abaixo apenas dos US$ 431,68 (R$ 2,23 bilhões) de 2023. “O resultado mostra que a região continua com um bom desempenho nas vendas para o exterior, mantendo o ritmo de 2025, apesar da manutenção do tarifaço dos Estados Unidos para os produtos industriais”, afirmou o economista Felipe Brandão.
As exportações da Grande Campinas foram de US$ 5,45 bilhões (R$ 29,25 bilhões) em 2025, aumento de 11,22% em comparação com os US$ 4,9 bilhões (R$ 26,39 bilhões) do ano anterior. A Comex apontou aumento nas vendas principalmente para América Latina e Europa. A Argentina, um dos principais parceiros econômicos do Brasil, elevou em torno de 21% as importações de produtos da região, enquanto o crescimento para a Colômbia foi de 27% e para o Paraguai, 6,8%. Outros países que também tiveram alta foram a Alemanha, 43%, e a Holanda, 23%.
Nessa busca por ampliar as exportações, uma multinacional de produtos farmacêuticos e hospitalares instalada em Americana acaba de inaugurar um novo centro de distribuição de Santa Bárbara d´Oeste, no qual investiu R$ 100 milhões.
A empresa, de origem austríaca, produz tubos de coleta de sangue a vácuo, sistemas de coleta de amostras de sangue e urina de pessoas e animais, sistemas digitais para préanálise, cânulas de segurança e outros produtos. “Esta ampliação será mais um marco para indústria, que, em 2003, instalou sua primeira fábrica em Americana e vêm apresentando crescentes resultados positivos”, afirmou o diretorgeral da empresa para a América Latina, Haroldo Graci.
AMPLIAÇÃO
A multinacional exporta para 16 países latino-americanos e o objetivo é aumentar a presença nesse mercado e ampliar o número dos países para os quais exporta com o novo centro de distribuição, que está em operação e modernizou e ampliou o sistema de logística da companhia, que emprega cerca de 400 funcionários nas unidades de Americana e Santa Bárbara d´Oeste. Ele está localizado no Distrito Industrial, nas proximidades das rodovias dos Bandeirantes e Luiz de Queiroz.
De acordo com a empresa, a localização é estratégica, perto do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, de São Paulo e das rodovias Anhanguera, Bandeirantes e do Rodoanel, o que garante fácil acesso também aos aeroportos de Congonhas e Cumbica e ao Porto de Santos.
No mês passado, as importações da Região Metropolitana somaram US$ 1,24 bilhão (R$ 6,43 bilhões), queda de 8,15% em comparação com o US$ 1,35 bilhão (R$ 7 bilhões) 2025, recorde para janeiro desde o início da série histórica em 2012. Mesmo assim, o valor deste ano está entre os quatro maiores do período, inferior também ao US$ 1,29 bilhão (R$ 6,69) de 2023 e no mesmo patamar de 2024.
Com isso, o saldo negativo da balança comercial da RMC no mês passado ficou em US$ 854,73 (R$ 4,43 bilhões), redução de 13,86% em relação aos US$ 992,20 milhões (R$ 4,78 bilhões) de janeiro de 2025. O déficit foi o menor dos últimos quatro anos. Anteriormente, havia sido em 2021, quando ficou em US$ 784,81 milhões (R$ 4,07 bilhões).
Para o economista Felipe Brandão, a queda do dólar ainda não afetou o comércio exterior. “A moeda norteamericana está relativamente desvalorizado, com os produtos brasileiros ficando mais barato no exterior e não chega a prejudicar as exportações a curto prazo. Porém, depende de três fatores: estrutura de custos, tipo de produto exportado e cenário internacional”, afirmou.
As indústrias automotivas e eletrônicas, explicou ele, podem ver parte do ganho cambial neutralizado em virtude de dependem de muitos insumos importados. Isso ocorre em função de necessitaram um valor maior em reais para fazer cobrir as compras feitas em dólar. “Esses são dois dos maiores setores exportadores da região”, acrescentou o economista.
Os seis itens mais importados pelas empresas da Região Metropolitana de Campinas são produtos usados na fabricação de produtos para abastecer o mercado interno e exportar. Eles são o inseticida, herbicida, compostos heterocíclicos com nitrogênio (usados nas indústrias farmacêutica, química, têxtil, corantes e outras). circuitos integrados eletrônicos, aparelhos para telefonia ou comunicação, soros e vacina.
AVALIAÇÃO
De acordo com Felipe Brandão, o comportamento da taxa de câmbio está sendo influenciado pela dinâmica global do mercado de moedas. O real e as demais divisas emergentes são beneficiadas pelo movimento de diversificação de carteiras, com redução das posições em ativos americanos. “A queda global do dólar está sendo causado pela China, que recomendou seus bancos a diminuírem a compra de dólares. O yuan se valorizou e o ouro voltou a subir”, disse ele.
Os itens mais exportados pela RMC são medicamentos, automóveis, máquinas para terraplanagem e escavação, óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, pneus e acessórios para carros. A exportação recorde de carne registrada pelo Brasil no mês passado também beneficiou a balança comercial da Grande Campinas. Isso porque Santo Antônio de Posse, onde está instalado um frigorífico voltado apenas as exportações, registrou aumento de 128,86% nas remessas para outros países e bateu recorde.
Elas foram de US$ 12,29 milhões (R$ 63,76 milhões), enquanto em janeiro do ano passado ficaram em US$ 5,37 milhões (R$ 27,85 milhões). O recorde anterior havia sido registrado em 2024, com US$ 9,71 milhões (R$ 50,37 milhões).
A empresa é a maior e a principal empregadora do município de 23,2 mil habitantes. Apenas as exportações de carne foram de US$ 11,08 milhões (R$ 57,48 milhões), o equivalente a 90,15% do total. A empresa envia a proteína para países como China, Estados Unidos e Chile. Outros itens exportados por Santo Antonio de Posse são medicamentos, circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos, semente e frutos oleaginosos e plantas vivas.
As vendas ao exterior de carne bovina somaram US$ 1,404 bilhão (R$ 7,28 bilhões) em janeiro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Na comparação com janeiro de 2025, quando foram exportadas 209,4 mil toneladas e US$ 1,002 bilhão (R$ 5,19 bilhões), as exportações apresentaram crescimento de 40,2% em valor e de 26,1% em volume, impulsionadas pela ampliação dos embarques e pela demanda consistente dos principais mercados importadores. As cinco cidades da região que ais exportaram no mês passado foram Campinas, com US$ 91,99 (R$ 477,24 milhões), Indaiatuba (US$ 65,85 milhões), Paulínia (US$ 40,29 milhões), Vinhedo (R$ 35,03 milhões) e Americana (US$ 32,85 milhões).
Os principais destinos das exportações da RMC são Argentina, Estados Unidos, Alemanha, México e Colômbia. Já as importações são principalmente da China, Estados Unidos, Alemanha, Índia e Coreia do Sul.