Insumos são produzidos e vendidos para fora do País pela multinacional Umicore; município foi o único da RPT com balança comercial positiva
A compra de catalisadores pela Alemanha e pela Bélgica impulsionou as exportações de Americana em 2025, de acordo com levantamento do Observatório Econômico da prefeitura. Os insumos são produzidos e vendidos para fora do País pela multinacional Umicore, que nos últimos anos concluiu a mudança da fabricação de Guarulhos para a unidade no bairro Morada do Sol.
Segundo dados da plataforma Comex Stat, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, as empresas de Americana arrecadaram US$ 530,2 milhões no ano passado com exportações, enquanto em 2024 o total foi de US$ 408,1 milhões. O aumento, calculado em 29,9%, foi o maior da RPT (Região do Polo Têxtil).
“O resultado é positivo de uma forma geral, porque não foram só os aumentos nas exportações da Umicore à Alemanha e da Goodyear aos Estados Unidos. Há resultados pulverizados, exportações de várias empresas da cidade para vários países”, avaliou o secretário de Desenvolvimento Econômico de Americana, Rafael de Barros.
Rafael explicou que o aumento incrementa a economia local e reforça alguns pontos positivos de Americana, como ter um aeroporto, a proximidade com o aeroporto de Viracopos, em Campinas, e parcerias com o Estado e com a Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana) para orientar empresários sobre a importância de relações comerciais fora do Brasil.
Ainda na região, Sumaré teve crescimento de 3,5% nas exportações, motivado pela venda de biodiesel para Holanda e ao Paraguai, bem como ligas de aço à China e inseticidas ao Paraguai.
“Algumas políticas internacionais e nacionais, acordos de comércio e cooperação ambiental podem explicar, em parte, alguns desses dados. É o caso do biodiesel exportado para a Europa, atendendo às exigências de redução de uso de combustíveis fósseis”, apontou o mestre em educação, economista, educador financeiro e coordenador de MBA na FAM (Faculdade de Americana) Gabriel Sarmento Eid.
Santa Bárbara aumentou 11,9% as vendas para fora do País e Nova Odessa, 3%. Já Hortolândia teve queda de 8%. Com isso, a RPT teve crescimento de 13,6% nas exportações.
Balança
De acordo com Gabriel, era esperado um resultado positivo em 2025, mas as previsões eram menos otimistas.
Isso, segundo o economista, mostra que as tarifas comerciais foram superestimadas e a capacidade de adaptação do hub da região foi subestimada. Ele lembrou a preocupação quanto ao tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump aos produtos brasileiros, que, por conta das exceções, resultou em impacto menor.
“Temos grandes empresas, como a Goodyear, que tiveram um peso considerável na negociação de borracha, por exemplo. Além disso, nossa região não depende apenas da indústria têxtil. Nas últimas décadas, a matriz industrial da nossa região se adaptou e ficou bem menos dependente desse setor”, disse.
Nas importações, todos os municípios da RPT apresentaram aumento no ano passado em relação a 2024: Americana com 16%, Hortolândia com 20%, Nova Odessa com 23,2%, Santa Bárbara com 22,4% e Sumaré, com 27%.
Apesar disso, Americana foi a única cidade da região que fechou 2025 com balança comercial positiva, ou seja, exportou mais (US$ 530,2 milhões) do que importou (US$ 408,1 milhões). “Ou seja, mais dinheiro entra do que sai”, destacou Rafael.
Os dez países que mais compram da região
- Alemanha – US$ 310.351.123
- Argentina – US$ 157.814.523
- Estados Unidos – US$ 126.985.376
- Holanda – US$ 91.778.435
- México – US$ 71.831.083
- Bélgica – US$ 42.480.592
- Paraguai – US$ 37.617.386
- Colômbia – US$ 35.453.074
- Chile – US$ 34.909.574
- Peru – US$ 32.705.739