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USP investirá R$ 60 milhões na aquisição de quatro radares meteorológicos

O projeto é desenvolvido no âmbito do Centro Paulista de Radares e Alertas Meteorológicos (CePRAM), do governo do Estado de São Paulo, e envolve a Defesa Civil, as três universidades públicas paulistas e a SP Águas

A USP investirá R$ 60 milhões na aquisição de quatro radares meteorológicos para o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG). Os radares ampliarão a cobertura do sistema de alertas utilizado pela Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Os radares integrarão o Centro Paulista de Radares e Alertas Meteorológicos (CePRAM) e serão operados em parceria com a Defesa Civil, que será responsável pela gestão e manutenção dos equipamentos e pelo compartilhamento dos dados coletados. O CePRAM também conta com a participação das universidades públicas paulistas e da Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas).

“Essa é uma contribuição direta da USP à sociedade paulista, que se beneficiará com informações mais precisas e de maior qualidade geradas por esse sistema. Buscamos com essa iniciativa garantir que o conhecimento científico gerado pela pesquisa conduzida na Universidade possa efetivamente se traduzir em benefícios à população. O monitoramento de eventos meteorológicos não apenas mitiga riscos de danos materiais, como também permite salvar vidas”, ressaltou o reitor Aluisio Segurado.

Além dos quatro radares da USP, o governo estadual também investirá mais R$ 50 milhões na compra de radares para a SP Águas, totalizando um investimento de R$ 110 milhões.

“Se estamos celebrando a aquisição de mais radares é porque existe uma parceria muito estreita entre a academia e o governo do Estado de São Paulo, e essa cooperação com as universidades paulistas tem nos ajudado muito. Com os radares da USP e os que serão adquiridos pela SP Águas, passaremos dos cinco radares que temos atualmente para treze. Isso significa melhorar a precisão e a velocidade das nossas previsões. Estamos investindo em prevenção, usando a tecnologia para salvar vidas”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.

A articulação para essa parceria teve início após as fortes tempestades que atingiram diversas regiões do Estado em fevereiro de 2023, especialmente o litoral paulista, quando 65 pessoas perderam a vida. Na ocasião, em apenas um dia, as chuvas atingiram um volume de 682 mm em Bertioga e 626 mm em São Sebastião, valores muito superiores à média mensal histórica para o período.

“Essa iniciativa fortalece especialmente o estudo, o monitoramento e a previsão de desastres naturais, contribuindo tanto para a formação de recursos humanos altamente qualificados quanto para a redução de perdas materiais e de vidas humanas decorrentes de eventos de tempo severo, que têm atingido o Estado de São Paulo com frequência e intensidade crescentes ao longo dos anos”, explicou o diretor do IAG, Edmilson Dias de Freitas.

O projeto do IAG também conta com a participação de órgãos federais como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), que têm contribuído junto com o IAG em estudos para o desenvolvimento de capacidades de previsão de curtíssimo prazo (nowcasting) e emissão de alertas meteorológicos.

50 anos da Defesa Civil

O anúncio do investimento aconteceu durante a cerimônia que celebrou os 50 anos da Defesa Civil do Estado de São Paulo, realizada nesta terça-feira, dia 14 de abril, no Palácio dos Bandeirantes.

Na solenidade, além de anúncios de investimentos e obras de infraestrutura, também foi realizada a entrega da Medalha Cinquentenário da Defesa Civil do Estado de São Paulo a 84 personalidades que se destacaram pela colaboração expressiva em ações de defesa civil.

O reitor Aluisio Segurado e o diretor do IAG, Edmilson Dias de Freitas – que também ocupa o cargo de chefe do Gabinete do Reitor –, foram homenageados na cerimônia, assim como a reitora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Maysa Furlan, o reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Paulo Cesar Montagner, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Marco Antonio Zago, e o secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan.

O chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil do Estado de São Paulo, coronel Rinaldo de Araújo Monteiro, fez questão de ressaltar que “a USP e a Academia são parcerias da Defesa Civil, ainda mais agora, com os avanços significativos que teremos para o monitoramento meteorológico no nosso Estado”.

Radares de Banda S e de Banda X

Os radares que serão adquiridos pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP são dois de banda S e dois de banda X. Os radares de banda S operam em frequências mais baixas (de 2 a 4 GHz), com comprimentos de onda maiores, da ordem de 10 cm a 15 cm, que proporcionam maior alcance e menor atenuação do sinal pela chuva. Esses radares são mais adequados para o monitoramento meteorológico de grande escala, especialmente em condições de precipitação intensa.

Já os radares banda X operam em frequências mais altas (de 8 a 12 GHz), com comprimentos de onda menores, entre 2,5 cm e 4 cm. Essa característica permite maior resolução espacial e capacidade de detectar detalhes mais finos, porém com menor alcance e maior sensibilidade à atenuação causada pela chuva.

“Os radares de banda S são mais robustos e indicados para cobertura ampla, sendo particularmente relevantes para o monitoramento de sistemas meteorológicos em formação ou em desenvolvimento a maiores distâncias. Já os radares de banda X se destacam pela alta resolução em aplicações de curto alcance, sendo fundamentais para a obtenção de informações detalhadas sobre a estrutura das nuvens de tempestade, com grande relevância científica e para a formação de profissionais em meteorologia”, explica o diretor do IAG.

O dirigente também destaca que “para a previsão e o monitoramento do tempo em curtíssimo prazo, o chamado nowcasting, são necessárias diversas outras ferramentas complementares, como o monitoramento em superfície (estações meteorológicas), o monitoramento em ar superior (radiossondagens), produtos de satélite, modelos numéricos de previsão do tempo e técnicas baseadas em inteligência artificial. Trata-se, portanto, de um sistema complexo, que se apoia no conhecimento técnico-científico desenvolvido no IAG e em outras unidades de ensino e pesquisa da Universidade de São Paulo e do Estado”.

Fonte: https://www.inovacao.sp.gov.br/sec_tecnologia_inovacao/noticias/usp+investe+60+milhoes+de+reais+na+aquisicao+de+quatro+radares