Novidade foi tema da reunião do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), valor se destina a cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação mineral, entre outros
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou nesta sexta-feira (6) uma nova rodada de seleções públicas, totalizando R$ 3,3 bilhões. A medida foi lançada durante a Reunião Extraordinária do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), sediada na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.
Os recursos, disponibilizados na modalidade de Subvenção Econômica (não reembolsáveis), pretendem acelerar a execução de projetos de risco tecnológico em parceria com Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs).
O anúncio foi feito pela ministra do MCTI, Luciana Santos, que participou da reunião da MEI como convidada. Ela destacou que inovação e tecnologia são peças-chave na Nova Indústria Brasil (NIB) e o objetivo é superar os gargalos tecnológicos e integrar, cada vez mais, os setores público, privado e acadêmico no caminho do desenvolvimento sustentável da indústria brasileira.
“Precisamos tirar a ciência do papel, superar as vulnerabilidades externas e a dependência tecnológica em um cenário geopolítico crítico, que exige das nações a retomada da sua indústria e do seu desenvolvimento. É por isso que o nosso ministério está totalmente integrado à Nova Indústria Brasil (NIB)”, destacou.
A ministra ainda ratificou a importância da MEI no processo de perenidade da política industrial e disse que a abertura do diálogo com o setor produtivo é o grande diferencial para o avanço da indústria no país. “Essa articulação entre o setor público, privado e a academia é a chave para um país mais competitivo, sustentável e soberano”, afirmou Luciana Santos.
Detalhamento dos Investimentos
O pacote de R$ 3,3 bilhões foi dividido estrategicamente para atender as áreas da Nova Indústria Brasil. A maioria dos recursos será operada em Fluxo Contínuo, distribuídos nos seguintes eixos:
- Tecnologia & Indústria: R$ 700 milhões, englobando Tecnologias Digitais (R$ 300 mi), Base Industrial de Defesa (R$ 300 mi) e Semicondutores (R$ 100 mi).
- Sustentabilidade: R$ 770 milhões, com foco em Transição Energética (R$ 500 mi), Economia Circular (R$ 150 mi) e Mobilidade Sustentável (R$ 120 mi).
- Estratégicos: R$ 1,3 bilhão, direcionados a Cadeias Agroindustriais (R$ 300 mi), Saúde (R$ 300 mi), Transformação Mineral (R$ 200 mi) e o programa Conhecimento Brasil (R$ 500 mi).
Além do fluxo contínuo, a Finep lançou editais específicos focados em desafios tecnológicos e desenvolvimento regional:
- Subvenção Regional: R$ 300 milhões exclusivos para projetos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, visando diminuir as disparidades regionais na ciência e tecnologia.
- Desafios Tecnológicos: Foram alocados R$ 150 milhões para o desenvolvimento do Eletrolisador Nacional (focado na produção de Hidrogênio Verde) e R$ 60 milhões para inovação em mecanização agrícola sustentável (tratores).
Contexto de crescimento
O presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, ressaltou que a agência vive um momento de expansão. Entre 2023 e 2025, foram contratados mais de R$ 45 bilhões em projetos, um crescimento de 235% em relação ao período anterior (2019-2022).
Elias também destacou que está em negociação avançada um aumento de capital da Finep na ordem de R$ 3,5 bilhões, visando garantir a sustentabilidade dos investimentos futuros e o apoio a projetos estruturantes que reforcem a soberania nacional.
“Todos os países estão investindo intensivamente em inteligência artificial. O Brasil precisa incorporar essa capacidade tecnológica para fazer crescer as nossas oportunidades e melhorar a nossa competitividade. A inovação é o caminho para aumentar a produtividade da indústria e gerar empregos de alta qualificação”, completou Elias.
A inovação no cenário do acordo Mercosul-União Europeia
A gerente de comércio e integração internacional da CNI, Constanza Negri, também participou do encontro e apresentou as oportunidades do Acordo Mercosul- União Europeia para o fortalecimento da inovação e da cooperação tecnológica no Brasil. Ela explicou sobre os instrumentos estratégicos para fortalecer o comércio, aumentar a previsibilidade e aprofundar a integração entre os blocos.
O encontro da MEI também contou com a presença do coordenador do Comitê, André Clark; do diretor-técnico do Sebrae, Bruno Quick; além de diversos líderes empresariais.
Jornada de trabalho 6×1
Durante a reunião, o presidente da CNI, Ricardo Alban, comentou sobre o atual debate do fim da jornada de trabalho 6×1. Alban disse que a CNI considera legítima a discussão, mas alertou que tal mudança pode reduzir a competitividade da indústria brasileira. “Precisamos ter cautela no debate, buscar alternativas que olhem para o setor produtivo, para a realidade regional e não prejudique empregos e garanta segurança jurídica”, destacou.
A ministra Luciana Santos disse que o governo do presidente Lula está aberto ao diálogo e atuando em todas as áreas para ouvir setores e atores estratégicos com o intuito de buscar o melhor caminho para a construção de um diálogo sobre o tema.
O que é a MEI
A Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) reúne representantes de mais de 300 empresas, institutos de pesquisa e universidades e tem a missão de fazer com que a inovação seja um pilar estratégico do setor produtivo. Além disso, o grupo empresarial contribui com propostas e recomendações para aperfeiçoar as políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I).
Ao promover discussões por temas, a MEI possibilita o aprofundamento dos debates, a identificação de gargalos, a construção de estratégias de superação dos desafios e a sinalização de melhores oportunidades para o país.
Criada em 2008, sob a coordenação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a MEI tem hoje três instâncias de trabalho, que permitem a interação permanente entre atores públicos e privados por meio de reuniões periódicas: o Comitê de Líderes, Grupos de Trabalho e Diálogos da MEI (encontros técnicos regionais).