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RMC tem 9 entre as 100 cidades brasileiras que mais arrecadam tributos

Campinas ficou em 10º no ranking nacional e foi a única cidade da região a figurar no top 10, com o montante de R$ 25,96 bilhões

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem nove municípios entre os 100 do País com a maior arrecadação tributária. Juntos, eles somaram o recolhimento de R$ 55,65 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais, o equivalente a 2,93% do total de R$ 1,9 trilhão das cidades avaliadas no estudo Mapa dos Tributos no Brasil, feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), com base nos dados de 2024 da Receita Federal. Campinas ficou em 10º no ranking nacional e foi a única cidade da região a figurar no top 10, com o montante de R$ 25,96 bilhões, representando 46,65% da RMC.

Os outros municípios da região a integrarem a lista geral são Indaiatuba, na 41ª posição nacional, com R$ 6,46 bilhões, seguida por Sumaré (65ª – R$ 4,27 bilhões), Vinhedo (71ª – R$ 3,89 bilhões), Jaguariúna (82ª – 3.29 bilhões), Paulínia (86ª – R$ 3,17 bilhões), Itatiba (89º – R$ 2,97 bilhões), Americana (92ª – R$ 2,85 bilhões) e Valinhos (98º – R$ 2,75 bilhões). Itatiba e Valinhos entraram para a relação dos maiores arrecadadores, tomando os lugares de Hortolândia e Santa Bárbara d´Oeste, que saíram da lista em relação ao estudo divulgado no ano passado.

“A Região Metropolitana de Campinas tem um papel estratégico na economia nacional, combinando dinamismo produtivo e elevada capacidade fiscal”, avaliou o economista Rafael Araújo. Para ele, isso se deve a uma economia diversificada, marcada pela presença de indústrias, serviços e comércio. A arrecadação tributária é o que todos os contribuintes pagam ao fazer qualquer compra ou negócio. O valor depois é dividido entre União, Estados e municípios em quotas diferentes dependendo do estabelecido pela legislação para cada tributo.

Para o secretário municipal de Finanças, Aurílio Caiado, Campinas tem se destacado em vários rankings, o que mostra a importância da cidade no cenário nacional. “Em 2024, nos consolidamos como o 10º município brasileiro com maior arrecadação tributária. Esse desempenho contou fortemente com a arrecadação própria do município, que registrou a 5ª maior receita de IPTU do país (R$ 1,38 bilhão), além de ocupar a 7ª posição em arrecadação de ISS (R$ 1,89 bilhão) e a 8ª em ITBI (R$ 336 milhões)”, comentou.

No caso de Campinas, as principais fontes de receita hoje são dois impostos municipais, justamente o Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), com previsão de arrecadação este ano de R$ 3,9 bilhões, que ela não divide com ninguém. Fica tudo no cofre municipal. O valor projetado representa 33,33% do total do Orçamento de R$ 11,7 bilhões da prefeitura para 2026.

A quota-parte de Campinas na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), um tributo estadual, aparece na terceira posição, com R$ 1,079 bilhão. Dados da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) apontam que Campinas também avançou no ranking nacional de receita total entre 2023 e 2024, passando da 11ª (R$ 7,68 bilhões) para a 10ª colocação (R$ 8,79 bilhões). “Este avanço foi impulsionado, sobretudo, pelo crescimento de 7,3% na arrecadação do IPTU e de 12,2% no ISS no período”, completou Aurílio Caiado.

HORA DE PAGAR

O IPTU já começou a ser cobrado este ano. A cota única ou primeira parcela do Imposto Predial dos imóveis não residenciais (comércio, indústria e serviços) venceu na segundafeira da semana passada, dia 26 de janeiro. Para os imóveis residenciais, o vencimento será na próxima terça-feira (10). Quem for pagar a cota única tem um desconto de 5%; e, se optou pelo IPTU Digital garante mais 1%, limitado a R$ 100,00. Há, ainda, a possibilidade de parcelar o imposto em até 11 vezes.

O Mapa dos Tributos no Brasil mostrou ainda que há uma disposição diferente no ranking regional quanto se considera a arrecadação per capita. Com uma população de 59,3 mil habitantes, Jaguariúna aparece em primeiro lugar na RMC e em 10º no ranking nacional, com o valor de R$ 53.296,93. A cidade tem aproximadamente 36 mil empregos formais, com 63,51% concentrados no setor privado, de acordo como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O município tem um Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos, de R$ 14,7 bilhões, com destaque para o setor de serviços, que representa mais de 60% do valor adicionado à economia local.

Ele conta também com um importante polo industrial, reunindo grandes empresas de vários setores, como bebidas, tecnologia, alimentação e farmacêutico. A cidade investe em políticas de desenvolvimento econômico, oferecendo incentivos para atrair investimentos e gerar novos empregos. “Qualquer empresa que queira vir para a cidade vai encontrar portas abertas, com aprovações mais rápidas dos projetos para que possamos trazer mais renda e mais empregos, o que é fundamental”, afirmou o prefeito Davi Neto (PP).

O estudo do IBPT mostrou ainda que Sumaré e Americana saem da lista dos 100 maiores do país na arrecadação per capita. Por outro lado, entra Holambra, que aparece na 78º posição nacional e na 6ª regional, com R$ 22.152,17. As outras cidades da RMC a aparecerem na lista são Vinhedo, na 11ª colocação nacional, com R$ 49.200,60; Paulínia (52ª – R$ 27.465,58); Indaiatuba (69ª – R$ 24.127,93); Itatiba (71ª – R$ 23.539,69); Campinas (82º – 21.894,99); e Valinhos (92ª – R$ 20.999,67).

OUTROS DADOS

De acordo com o levantamento do IBPT, as 100 cidades com maior arrecadação de tributos concentraram 77,6% do total recolhido pelos 5.571 municípios brasileiros, apesar de contarem com pouco mais de um terço da população. Eles somam 76,54 milhões de habitantes, o equivalente a 36,4% dos 210,3 milhões de residentes no Brasil. São Paulo tem 36 cidades entre as principais arrecadadoras, com o Estado liderando a participação no ranking. Além disso, elas ocupam quatro das 10 primeiras colocações. Além de Campinas, aparecem São Paulo, líder nacional com o montante de R$ 581,2 bilhões, Osasco (R$ 50,1 bilhões) e Barueri (R$ 36,5 bilhões).

A região Nordeste tem 12 cidades presentes no ranking do Mapa dos Tributos no Brasil. Já a Centro-Oeste contou om seis, enquanto o Norte, três. João Olenike ressaltou ainda que a reforma tributária, que passou a ser implantada gradualmente este ano, mudará a composição do ranking.

Isso ocorrerá em virtude da alteração no modelo de arrecadação, com os impostos passando a ser cobrados no local de consumo, o que deverá beneficiar as cidades mais populosas. Atualmente, o imposto é cobrado na origem, ou seja, onde os bens são produzidos, favorecendo os polos industriais. “Isso não deve acontecer de forma imediata, mas a expectativa é que, com a mudança na tributação, os municípios que recebem as mercadorias passem a ter mais destaque na arrecadação”, afirmou o presidente-executivo do IBPT.

Fonte: https://correio.rac.com.br/campinasermc/rmc-tem-9-entre-as-100-cidades-brasileiras-que-mais-arrecadam-tributos-1.1764750