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Porto de São Sebastião amplia operações, tem receita recorde e consolida retomada no litoral de São Paulo

Complexo do Litoral Norte consolida retomada, reforça vantagem logística e amplia relevância estratégica em São Paulo

O Porto de São Sebastião, no Litoral Norte, sempre foi destaque pela profundidade natural do canal de navegação, que possui de 25 a 42 metros em alguns pontos (o de Santos tem entre 14 e 15). Nos últimos anos, porém, a trajetória de alta na receita e a ampliação das operações chamam a atenção.

O complexo, que completou 71 anos no dia 20 de janeiro, vive um cenário marcado pela retomada da movimentação de cargas e fortalecimento da relevância estratégica para o estado de São Paulo.

O porto encerrou 2025 com receita recorde de R$ 75 milhões, crescimento de 29% em relação a 2024, alcançando o melhor resultado financeiro e operacional dos últimos cinco anos. O desempenho consolida uma fase de inflexão após longo período de estagnação.

Inaugurado em janeiro de 1955 como alternativa estratégica ao eixo Santos-Capital, o porto só atingiu operação plena em 1963. Ao longo de mais de sete décadas, sua trajetória foi marcada por ciclos de expansão, readequações e desafios operacionais.

A história, no entanto, antecede sua inauguração. Em 1934, a União autorizou o Estado de São Paulo a construir e explorar o terminal, em um contexto de expansão da infraestrutura portuária nacional.

Vantagens

Entre os principais diferenciais do Porto de São Sebastião está o canal natural profundo, que permite a atracação de navios de grande calado sem necessidade de dragagens frequentes — uma vantagem competitiva rara no sistema portuário brasileiro.

A logística de acesso também passou por uma transformação estrutural. Com a entrada em operação do Contorno Sul da Rodovia dos Tamoios, o tempo médio de deslocamento entre Caraguatatuba e o porto foi reduzido de cerca de 45 minutos para apenas 16 minutos, eliminando gargalos históricos no escoamento de cargas no Litoral Norte.

Em 2024 e 2025, a movimentação de cargas superou em mais de 50% a média anual registrada até 2023. No biênio, foram 2,96 milhões de toneladas movimentadas — 1,53 milhão em 2024 e 1,44 milhão em 2025 — patamar superior ao de período equivalente nos quatro anos anteriores.

Em 2025, as principais mercadorias movimentadas foram açúcar (473,9 mil toneladas), barrilha (380,9 mil toneladas), malte e cevada (209 mil toneladas) e coque de petróleo (105 mil toneladas). Após cerca de 25 anos, o porto voltou a operar a movimentação de trigo — retomada considerada simbólica pela atual administração.

Administrado pela Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), vinculada à Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o local passa por um processo de reorganização administrativa baseado em previsibilidade operacional, eficiência logística e reinvestimento da receita.

“A recuperação não é pontual, ela está ligada a decisões estruturais que reposicionam o Porto no sistema logístico paulista”, afirma o diretor-presidente da CDSS, Ernesto Sampaio.

Investimentos privados

Segundo a Companhia Docas de São Sebastião, está previsto para o segundo semestre de 2026 o leilão do SSB01, conduzido pelo Governo Federal.

Trata-se de um terminal multipropósito que prevê R$ 2,5 bilhões em investimentos privados em uma área de 426 mil metros quadrados (m²), com a construção de um píer e dois novos berços de atracação. A ampliação pode elevar em até 187% a capacidade operacional, com potencial para atingir a movimentação de 4,3 milhões de toneladas de granéis por ano, além de 1,3 milhão de contêineres.

Esse projeto está previsto pelo Ministério de Portos e Aeroportos para o ano passado, depois passou para o primeiro semestre deste ano. E agora tem novo prazo.

Como parte da preparação para o aumento da movimentação, o Porto colocou em operação dois pátios de triagem com cerca de 300 vagas para caminhões, iniciativa que contribui para a redução do trânsito no entorno urbano e para a melhoria das condições de trabalho dos motoristas.

A agenda ambiental também ganhou protagonismo. O desempenho rendeu 96,31 pontos no Índice de Desempenho Ambiental da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), além do 7º Prêmio Antaq, na categoria Desenvolvimento Ambiental.

No eixo ESG, o Porto de São Sebastião conquistou o segundo lugar na categoria Desempenho ESG – Portos Públicos, no XII Congresso Internacional de Desempenho Portuário (Cidesport).

Fonte: https://www.atribuna.com.br/noticias/portomar/porto-de-s-o-sebasti-o-amplia-operac-es-tem-receita-recorde-e-consolida-retomada-no-litoral-de-s-o-paulo-1.498617