O programa SP Produz, iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, está fortalecendo as Cadeias Produtivas Locais (CPL) de São Paulo ao estimular a cooperação de setores e segmentos e promover o desenvolvimento econômico regional. Em 2025, foram R$ 35 milhões em recursos financeiros disponibilizados e 99 novas CPLs reconhecidas, atingindo 118 cidades.
O programa divide as Cadeias Produtivas Locais em quatro graus de maturidade: Aglomerado Produtivo, CPL em Desenvolvimento, CPL Consolidada e CPL Madura. Ao todo, já são 194 CPLs reconhecidas, abrangendo diferentes regiões do estado e diversos setores estratégicos da economia, da agricultura, indústria, tecnologia, cultura e serviços. No total, já foram R$ 65 milhões disponibilizados para fomento.
“O SP Produz veio para atender a uma importante diretriz do governador Tarcísio de Freitas que é o desenvolvimento regional. Ao estimular a governança e injetar recursos nas cadeias produtivas locais, estamos movimentando toda a economia, fortalecendo segmentos estratégicos e gerando renda e emprego, sobretudo nos municípios de pequeno e médio porte”, afirma Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de SP.
Desde o início do programa, já são 118 municípios que atuam como sede de CPLs reconhecidas, além de diversos municípios impactados com o desenvolvimento dessas cadeias. “A cada novo edital, percebemos que as cadeias chegam mais engajadas e com maior disposição para cooperar e contribuir para o desenvolvimento local. O SP Produz impulsiona essas cadeias para que cresçam com sustentabilidade, incorporem tecnologia e gerem valor para suas regiões”, afirma Júlia da Motta, subsecretária de Competitividade e Desenvolvimento Econômico e Regional.
Um exemplo é a CPL de Frutas Nativas de Sete Barras, no Vale do Ribeira, que permite que agricultores que antes extraíam o palmito da palmeira-juçara, ameaçada de extinção, hoje trabalhem para preservá-la, gerando renda e conservando a diversidade florestal.
“A proibição da extração da palmeira-juçara foi um divisor de águas para a região. Antes, a exploração predatória colocava a espécie em risco e limitava o futuro das famílias. Hoje, entendemos que preservar a juçara é garantir renda, biodiversidade e desenvolvimento sustentável para as próximas gerações”, explica Bruno Giane, responsável pela CPL e integrante da ONG COOBIO (Cooperativa para a Bioeconomia).
O responsável pela CPL, Bruno Giane (centro), reforça que o fruto da palmeira-juçara é fundamental para fauna local
Contemplados pelo edital de fomento de 2025, a CPL de Frutas Nativas de Setes Barras reúne um modelo produtivo que alia inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico local. “Com o fomento do SP Produz, vamos conseguir aplicar ainda mais inovação à floresta, com impacto direto na renda das famílias e na conservação da Mata Atlântica”, afirma Giane.
Alcance internacional
Na região de Campinas, a CPL do Café de Montanha de Divinolândia foi aprovada em 2025 para receber o fomento do SP Produz, que permitirá consolidar inovação, sustentabilidade e tecnologia, ampliando a inserção do produto no mercado global.
“O pequeno produtor não pode mais trabalhar de forma isolada nem com práticas ultrapassadas. O fomento vai nos ajudar a atender normas internacionais de gestão e sustentabilidade. Sem investimento e capacitação, o pequeno produtor não consegue competir. Com esse reconhecimento do programa, passamos a negociar de igual para igual com compradores nacionais e internacionais”, destaca Francisco Sérgio Lange, representante da Associação dos Cafeicultores de Montanha de Divinolândia.
Formada por cerca de 60 pequenos produtores da agricultura familiar, a CPL receberá fomento para alavancar a criação de uma rede colaborativa, investir em tecnologia e se adequar às exigências internacionais. Atualmente, já exporta para países como Canadá, Coreia do Sul, Austrália, além de mercados europeus, apoiada em certificações socioambientais e práticas de agricultura regenerativa.
O representante acredita que o SP Produz foi fundamental para elevar o patamar da produção. “Inovação, para nós, significa produzir com impacto ambiental positivo, recuperar o solo, reduzir o uso de insumos químicos e garantir transparência em toda a cadeia. O fomento do Estado nos dará condições de transformar sustentabilidade em vantagem competitiva”, afirma Lange.
O investimento do programa permitirá ainda a construção de uma biofábrica, a implantação de energia fotovoltaica, melhorias na infraestrutura produtiva e a qualificação de áreas de visitação. “Hoje, o principal desafio é formar uma nova geração para o café. O jovem só vai permanecer no campo se enxergar perspectiva, renda e futuro. E isso passa por mostrar que a cafeicultura do século 21 envolve tecnologia e preservar o meio ambiente.”